Da infância até hoje, aos 59 anos, a aviação sempre esteve no centro da minha vida. Esta é a minha trajetória.
Aos 10 anos, minha brincadeira favorita era construir aviõezinhos de papel. Criava vários modelos e tentava entender por que alguns planavam mais e outros menos. Testava dobras que funcionavam como winglets, flaps e outras superfícies, sem saber ainda que estava estudando aerodinâmica.
Na mesma época, montava aviões de plástico da Revell. Era um desafio: muitas peças, cheias de detalhes, e o acabamento final com os decalques.

Aos 13 anos, comecei a construir aviões de madeira lançados com elásticos e, depois, impulsionados por hélices movidas a elástico retorcido.
Aos 15, passei a voar aviões a cabo, os modelos de voo circulado, já com pequenos motores a explosão.
Aos 17, comecei a construir aeromodelos de controle remoto. Naquela época, eles vinham em caixas com madeiras e plantas que precisavam ser analisadas, recortadas a estilete e coladas peça por peça. Cada modelo levava meses para ficar pronto, às vezes mais de seis.
As aeronaves foram crescendo e o conhecimento exigia cada vez mais estudo e troca de informações com os amigos do mesmo hobby.
Entrei na faculdade de Economia da FAAP, em São Paulo, e o aeromodelismo ficou para os fins de semana.
Nessa mesma época, comecei a estagiar na Progresso Corretora de Valores, uma das mais importantes daquele tempo. Foram um ano e meio de trabalho, me especializando no mercado da BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), em derivativos e em ações de empresas listadas na bolsa.
Em meados de 1987, depois de uma longa conversa com meu avô, resolvi seguir o conselho dele e me tornar um empreendedor. Guardo até hoje as palavras que ouvi naquele dia:
“Batuta, acho que chegou a hora de você se arriscar e ver se você é bom. Se não der certo, o que eu duvido, volta e arruma um bom emprego.”
“Se arrisca. Se tiver medo, finge que não tem e segue…”
Paulo Abreu, meu avô, 1987
Fui para o mercado de seguros. Fiz um estágio em uma companhia de seguros e, em seguida, criei minha própria corretora, que inicialmente se chamava Tradicional Corretora de Seguros.
Com o tempo, me especializei em seguros industriais. O negócio cresceu, comecei a ganhar dinheiro e, mais uma vez, decidi arriscar em um novo empreendimento.
Em 1989, montei a Tradiplastik Indústria de Plástico, focada na reciclagem de polietileno e polipropileno. No início, fabricávamos apenas granulados pigmentados, vendidos como matéria-prima para a produção de mangueiras, sacos de lixo e outros produtos.
Ganhamos mercado na indústria e ampliei a capacidade de produção ao fechar um contrato com a Bombril: eu comprava as aparas da empresa e revendia o material reciclado para a própria Bombril, que na época lançava sacos de lixo para o mercado residencial.



Em 1993, recebi uma proposta de compra da fábrica de um diretor da Pirelli que tinha interesse no mercado de reciclagem. Vendi por um valor representativo, investi o recurso no mercado financeiro e comecei um novo desafio: o setor bancário.
Trabalhei dez anos nesse segmento. Na área comercial, captava clientes para abertura de conta-corrente, investimentos e cessão de crédito. Passei também pela análise de crédito e atuei por muitos anos no comitê de crédito, aprovando operações estruturadas de capital de giro para a indústria e o comércio.
Em 1995, comecei o curso de piloto de planador na Politécnica, o aeroclube de planadores do aeroporto de Jundiaí. Fazia a parte prática nos fins de semana e o curso teórico à noite.
Em 1996, me tornei piloto de planador e passei a voar nos fins de semana. O menino dos aviõezinhos de papel agora planava de verdade.
Em 1997, descobri o Super Ximango, um motoplanador espetacular, de projeto francês, fabricado pela indústria Aeromot, de Porto Alegre. Transferi minha base de treinamento para Tatuí, onde o aeroclube oferecia instrução nessa aeronave.
Tive a oportunidade de contar com pilotos que dedicaram seu tempo para me treinar e me preparar para o brevê. Fica aqui minha homenagem ao Geraldo, ao Cezinha e ao Celso Garbo.
No fim de 1997, tirei o brevê de motoplanador em Tatuí, comprei meu próprio Super Ximango, minha primeira aeronave, e alcei meu voo solo.




Ainda em 1997, comecei o projeto de tirar o brevê de avião. Fiz o curso teórico na EACON, em São Paulo, em frente ao aeroporto de Congonhas. Nos fins de semana, treinava a parte prática no aeroclube de Tatuí, alternando os voos de instrução com voos de fim de tarde, feitos no Aeroboero e no Super Ximango. Foi no Aeroboero que fiz meu primeiro voo em avião a motor.


Em 1998, já brevetado em motoplanador e em avião, transferi o Super Ximango para o aeroporto de Jundiaí, na época no Hangar Gaivota, e voava o Tupi no Aeroclube de Jundiaí, a escola de pilotagem de aviões que praticamente deu início ao aeroporto da cidade. Fiz também algumas aulas práticas no Aeroclube de São Paulo para conhecer as chegadas e saídas pelos corredores de aproximação do Campo de Marte. Passei a alternar os voos entre Jundiaí e o Campo de Marte.


Ainda em 1998, comprei um Cessna Skylane 182, uma máquina incrível. Sempre voei com ele ao lado de um piloto: o famoso Curió, Fernando Erichen de Andrade, grande mestre e instrutor. Voamos juntos por muitos anos. Foram momentos inesquecíveis.
Em 1998, decidi entrar em um novo empreendimento e criei a Nações Aeronáutica, com o plano de construir um hangar em Jundiaí e prestar serviços para a aviação. Foi um grande desafio: criei o projeto, conquistei a concessão de uma área no aeroporto de Jundiaí e construí o Hangar Nações Aeronáutica. Convidei um amigo, que investiu comigo e seguiu ao meu lado no projeto.
Em 1998 e 1999, a Nações Aeronáutica nasceu de fato, focada na hangaragem de aeronaves de terceiros e no atendimento de rampa para aeronaves vindas de outras cidades, os serviços conhecidos no setor como FBO (Fixed Base Operation).
A ideia inicial era criar um negócio que gerasse caixa e ajudasse a cobrir as despesas e a manutenção do voo particular. Eu entendia que a aeronave era um prazer, mas que precisava, de alguma forma, ser subsidiada e amortizada.



Em 2000, fiquei amigo do Sr. Walter Zack, empresário que representava os motores Continental no Campo de Marte e que construía um hangar vizinho ao da Nações. Fechei com ele um contrato de gestão do hangar: cuidávamos do prédio e da operação, com atendimento aos clientes, sala VIP e movimentação de aeronaves.
Nascia ali minha experiência em gestão de hangares, próprios e de terceiros. O conhecimento que adquiri nessa operação me acompanha até hoje: mais de 20 anos depois, continuo prestando serviços de gestão de hangares para outros empresários e operadores.
Com esse desafio, decidi expandir os esforços para crescer no negócio de aviação e ampliar as receitas.

A gestão de hangares também me levou a Goiânia, onde montei um hangar da Nações em parceria com Alexandre Vieira.




Também em 2000, voltei a olhar para a indústria e iniciei o projeto que daria origem à Nações Metálicos, uma empresa de processamento de materiais ferrosos e reciclagem de metais.
Comecei trabalhando para o maior processador de sucatas metálicas do Brasil, a Trufer Metálicos, do Dr. José Trujillo, como corretor de negócios. Meu trabalho era captar empresas do setor industrial geradoras de sucata, principalmente da indústria de autopeças: estamparias, metalúrgicas pesadas, fabricantes de parafusos, empresas de usinagem e outras.
Trabalhei para o Dr. José Trujillo por um ano, tempo suficiente para acumular um volume mensal de compra de 450 toneladas de sucata.
Nesse período, aprendi muito na Trufer, uma empresa profissional, com uma gestão impecável e um conhecimento profundo do segmento. Ficamos amigos, e até hoje mantenho a amizade com o seu sucessor.
Depois desse ano, dei início à construção da base operacional da Nações Metálicos, na Av. Fagundes de Oliveira, em Diadema. A área pertencia ao meu avô, que a alugou para mim com a intenção de dar segurança ao terreno e evitar invasões, pois ficava num local remoto e distante.
A Nações Metálicos cresceu muito e se tornou uma processadora de materiais ferrosos, fornecedora da Siderúrgica Barra Mansa com volumes expressivos, com filiais em Diadema, Guarulhos, Limeira, Goiânia e Brasília.



Em 2012, decidi vender a empresa. As operações seguiram com a Siderúrgica Barra Mansa, e eu voltei meu foco para a aviação executiva.
Em 2009, construí o Hangar Nações Sequoia, vizinho ao lado norte do Hangar Nações Aeronáutica, dobrando assim minha capacidade operacional em Jundiaí. Nesse projeto, tive dois sócios investidores, e eu fiquei como gestor responsável pelo desenvolvimento: estruturar o negócio, captar clientes e gerir a operação.
O novo hangar deu visibilidade à Nações no aeroporto de Jundiaí e tornou a empresa a maior operadora do aeroporto naquela época.
Foi um projeto maior: 2.500 metros quadrados de construção, uma sala VIP de mais de 200 metros quadrados para dar suporte aos 30 clientes hangarados e uma área de operações e gestão de aeronaves. Nessa época, ampliamos o time de gestão, contratamos dois engenheiros aeronáuticos para gerenciar aeronaves e ganhamos mercado nesse segmento.




Em 2011, quando iniciei o processo de saída do mercado de processamento de ferrosos, decidi dar mais atenção ao mercado de aviação e me candidatei a presidente da Associação dos Arrendatários do Aeroporto de Jundiaí. A associação era coordenada pelo Sr. Sergio Beneditti, presidente da Maule do Brasil, representante de vendas da fabricante Maule no Brasil, que me cedeu a oportunidade de seguir como presidente e responsável pela associação.
Fui presidente da associação por quatro anos, até 2015. Nesse período, me relacionei com todos os operadores do aeroporto e os representei junto ao concedente, o DAESP (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo).
Como gestor da associação, conheci de perto todos os problemas que o aeroporto enfrentava no dia a dia. Praticamente todos os meses, eu conversava com a equipe do DAESP, o departamento do governo responsável pelo aeroporto, sobre infraestrutura, investimentos e questões contratuais e administrativas.
Essa relação com o DAESP me proporcionou uma profunda experiência em gestão de aeroportos, contratos de concessão e conhecimento das oportunidades do segmento.
O período de 2012 a 2017 foi de muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Além da associação do aeroporto, foquei no crescimento da Nações Aeronáutica.
Ainda em 2012, tive uma oportunidade e comprei o hangar do Sr. Walter Zack, o Hangar Vortex, e abri a Nações Aviação, transformando-o no Hangar Nações Aviação. Na mesma época, comecei a gerenciar aeronaves, ampliando meu leque de serviços aos proprietários.
Em 2012, eu já estava com três hangares: o Nações Aeronáutica, o Nações Sequoia, vizinho ao lado norte, e o antigo Hangar Vortex, vizinho ao lado sul. Já tinha mais de 30 aeronaves de terceiros sob gestão.
Trabalhei firme no crescimento do negócio, comecei a ganhar mercado e me tornei referência no aeroporto de Jundiaí, em qualidade e em volume de operações.
Em 2015, decidi entrar no segundo maior mercado de aviação do Brasil e expandi minhas operações para Goiânia, abrindo uma filial em parceria com Alexandre Vieira no Aeroporto Nacional de Goiânia, conhecido como "Escolinha", por ser a base do Aeroclube de Goiás.
Em 2017, foi necessário sair da parceria do hangar de Goiânia. Alexandre Vieira continuou com o projeto e seguiu como gestor da operação em Goiânia, alterando o nome de Hangar Nações para Hangar Golf.
Em 2014, voltando um pouco na história, também iniciei, sozinho, um projeto de privatização de aeroportos. O Governo de São Paulo começava a planejar a privatização dos aeroportos que não davam resultado e acumulavam prejuízos para o estado.
Foi um momento em que a vida me trouxe uma oportunidade que somava tudo o que eu tinha vivido: minha experiência em estruturação financeira, o conhecimento do mercado de aviação e o conhecimento em gestão de aeroportos que ganhei na associação.
Passei mais de dois anos desenvolvendo um projeto que viabilizasse financeiramente o aeroporto, com um modelo que gerava caixa além do que o DAESP conseguia. No fim de 2015, com o projeto montado, constituí o consórcio, definindo os parceiros e futuros sócios, e fundei a Voa São Paulo Aeroportos, a VOA SP.
Em abril de 2016, a Voa São Paulo venceu as licitações e se tornou a primeira empresa brasileira a gerir uma privatização de aeroportos no país: a concessão por 30 anos dos aeroportos de Jundiaí, Bragança Paulista, Campinas (Campo dos Amarais), Itanhaém e Ubatuba, com R$ 93 milhões em investimentos previstos.
Fui o criador do projeto, fundador da VOA SP e, depois de vencer o leilão de privatização, seu presidente executivo por dois anos, até agosto de 2018, estruturando a equipe, definindo a estratégia de crescimento e a relação com o mercado.


Ainda naquele ano, estruturamos a transição do estado para o privado, criamos as equipes de administração e de operação e seguimos para o desafio de gerar resultados positivos, com melhorias de infraestrutura, novos investimentos em tecnologia e o desenvolvimento da relação com o mercado.

No Campo dos Amarais, o plano incluía ampliar a pista de 1.650 para 2.000 metros, reformar o pátio e desenvolver o entorno com hotel, logística e negócios que atendessem à comunidade, além do projeto de receber voos internacionais de aviação executiva.
Como presidente da VOA SP, procurei direcionar a operação para melhorar os aeroportos atuais, realizar investimentos na ampliação de pistas e terminais, desenvolver melhorias nas tecnologias de operação, incluindo projetos de implantação de sistemas de aproximação, e captar novos clientes operadores nos aeroportos. Criamos projetos de melhorias na pista de Jundiaí, planos de desenvolver o Aeroporto dos Amarais no lado terra, a ampliação da pista do Aeroporto de Ubatuba e futuras aquisições de novos aeroportos. A VOA SP nasceu com grandes oportunidades, hoje possui mais de 15 aeroportos e continua crescendo. Tenho muito orgulho deste projeto.
No segundo semestre de 2018, precisei me afastar da gestão da VOA SP por uma causa maior: seguir com os negócios da família, que atua no mercado imobiliário e de incorporação.
Dediquei os anos de 2019 a 2022 aos negócios da família, onde, em união, reestruturamos as empresas e ganhamos mercado no segmento. Durante todo esse tempo, mantive as operações dos hangares em Jundiaí; me afastei apenas da VOA SP.
Depois de estabelecer as operações, decidi em 2023 iniciar o projeto que sempre almejei: constituir uma empresa gestora de aeronaves executivas, homologá-la como táxi aéreo e criar uma nova marca, com o objetivo de dar alma e continuidade perene ao negócio. Nasceu a Flyton Aviation.
A Flyton é focada em dar suporte a empresários que decidem adquirir uma aeronave de médio e grande porte e precisam de uma empresa profissional e de confiança para gerir, dar suporte técnico e planejar suas operações a longo prazo. Decidimos abrir também a operação de táxi aéreo, segmento que permite realizar, de forma legal e regular, o fretamento de aeronaves executivas.
Na formação da Flyton, definimos alguns princípios:
A Flyton recebeu o certificado de operadora regular de táxi aéreo no final de 2024 e segue com seu projeto de expansão: captando novas aeronaves para a frota, ampliando as aeronaves de terceiros sob gestão e a força de venda de fretamentos.
Nosso lema é considerar os pilotos das aeronaves gerenciadas nossos principais clientes. Eles são os responsáveis pela operação das aeronaves e a conexão entre o gestor operacional e o empresário. Nossa missão é dar suporte aos pilotos, diminuir a carga de trabalho administrativa, financeira e operacional e deixar com eles o comando da aeronave e a relação com o proprietário.
A Flyton vai crescer, ganhar mercado e oferecer suporte a todos os empresários que, por alguma razão, precisam de alguém para orientar e apoiar. Nossos clientes são empresários de todo o Brasil, artistas, jogadores de futebol, cantores, fazendeiros e todos que estão entrando no mercado da aviação com pouco conhecimento técnico.
E a Flyton nasce com alcance nacional. Com a nossa gestão, o empresário não precisa mudar a aeronave de lugar: ela continua no aeroporto que ele sempre utilizou. Nós montamos um plano de trabalho na região dele, vendemos fretamentos a partir dessa base e controlamos toda a operação de onde a aeronave estiver.
Assim, empresários de qualquer parte do país, seja do Mato Grosso, do Ceará, da Bahia ou de Minas Gerais, podem contar com a Flyton para gerir e operar suas aeronaves com o mesmo padrão de quem está ao nosso lado em Jundiaí.
No fretamento, temos um princípio claro: vendemos apenas as horas de voo necessárias para cobrir os custos operacionais do proprietário. Se for do interesse dele, aumentamos essa quantidade, sempre a pedido. E nenhum voo acontece sem autorização: a cada fretamento, consultamos o piloto, que confirma com o proprietário e nos dá o de acordo. Assim, o proprietário acompanha e participa de cada decisão sobre o uso da sua aeronave.
